3.5.16

Chapter 2 - Inabalável



Demetria Devonne Lovato'
   "O que você está fazendo?" indaguei, ao vê-lo repentinamente começar a subir numa árvore, a maior daquela praça inteira. 
   Ele escalava de maneira tão rápida e determinada! Entretanto, a única coisa que vinha na minha cabeça naquele momento era que ele iria cair e se machucar gravemente, principalmente se caísse àquela altura em que já estava.
   "Joseph, o que você está fazendo?" perguntei novamente. E ao ver que ele me ignorava, eu bufei alto. "Joe, você vai cair!" dessa vez eu dissera mais alto, mas ainda assim ele sequer ligara. 
   E então ele hesitou num dos troncos mais altos daquela árvore gigante. Tentou se acomodar ali, e de repente soltara um grito, fazendo com que todos do parque voltassem sua atenção para ele naquele exato momento. 
   Naquele instante eu quis enfiar a minha cabeça no maior buraco que existisse. 
   "Por favor, eu peço a atenção de vocês! Só por um minutinho." exclamara ele, sentado naquele tronco da árvore. 
   Todos olhavam para ele com os olhos arregalados, uns realmente surpresos com sua estranha atitude, e outros talvez achando que ele fosse realmente retardado, assim como eu estava pensando.
   "Agora, você veem aquela garota ali?" indagou ele, e só então percebi que ele me apontava, com um sorriso realmente bobo na cara. Senti meu rosto enrubescer ao ver agora o olhar de todas aquelas pessoas hesitarem em mim. 
   Mas o que diabos ele estava fazendo?
   "Todo mundo está vendo ela?" ele perguntou mais uma vez, fazendo com que todo mundo assentisse. Eu estava odiando aquilo. Joseph só poderia ser retardado.
    "Ela, é, como vocês podem ver, a mulher mais bonita que eu já conheci em toda a minha vida." ao escutar aquilo, senti como se meu rosto ficasse mais corado ainda, se isso era possível. "E, com certeza, a mulher mais maravilhosa que eu já conheci." 
   "Joe, o que você está fazendo?" finalmente ergui a minha voz, pondo-me a encará-lo lá do alto. E, mais uma vez, ele me ignorou.
   "E eu estou querendo fazer uma pergunta para ela a tanto tempo, e então decidi que vou fazê-la aqui e agora!" franzi minhas sobrancelhas, começando a ficar realmente preocupada com o que ele fosse fazer. 
   No entanto, logo ele se virou, descendo da árvore rapidamente, e foi aproximando-se a mim. Eu estava começando a ficar realmente nervosa, mas então ele me surpreendeu. Ele literalmente se ajoelhou-se em minha frente, e pegou a minha mão, beijando a costa da minha palma.
   "Demetria Devonne Lovato, você quer namorar comigo?" 
   Ao ouvir aquela pergunta, senti como se todo o meu interior se congelasse. Ele estava lá ajoelhado, com todos os olhares presos em nós, e acabara de me perguntar aquilo. Eu estava definitivamente sem reação.
   "Por que você subiu naquela árvore feito um retardado?" foi a única coisa que eu consegui responder naquele momento. Ele, no entanto, apenas riu da maneira mais escandalosa possível.
   "Eu precisava demostrar meu amor por você, Demi." ergui minhas sobrancelhas.
   "E precisava fazer esse escândalo todo?" ele sequer hesitara para responder.
   "Precisava." ao ouvir aquilo, eu não conseguira me controlar. 
   "Você é um retardado." afirmei, soltando uma risada fraca.
   "E isso é um sim?" eu demorei um pouco para responder, de propósito, mas então não aguentei.
   "Isso é um sim." depois que disse aquilo, logo percebi-o aproximar-se a mim, e selar meus lábios de maneira intensa. 
   Eu o amava. Eu o amava tanto.

~

   Eu nem havia visto a ambulância. E quando eu levantei a minha cabeça eu já estava sentada na sala de espera do hospital, aguardando por notícias. Nada daquilo havia entrado em minha cabeça ainda, estava totalmente inconformada com aquilo. 
   Por que aquilo? 
   Por que justo com ele, a pessoa com quem em poucos dias eu me casaria e com quem eu teria meu final feliz?
   Logo seus pais, meus futuros sogros, apareceram no hospital. Eles arregalaram os olhos para mim.
   - O que aconteceu? - perguntou os dois, parecendo confusos, mas ao mesmo tempo alarmados. 
   Eu não conseguiria contar tudo aquilo para eles, não naquele momento.
   E eu realmente não precisei, porque logo um dos médicos, que provavelmente estariam cuidando de Joseph, apareceu na sala e aproximou-se de nós. Ele carregava em seu rosto uma reação extremamente séria, o que definitivamente não me deixara mais segura, e então a notícia fora dada.
   - O estado dele é realmente grave. Ele teve realmente várias fraturas, e acredito que não poderemos fazer muito por ele. - dizia o senhor, de maneira mais clara possível, provavelmente tentando amenizar aquela situação, como normalmente médicos faziam. 
    - O que aconteceu com o meu filho? -  indagou a mãe de Joseph, com desespero, ao perceber que ninguém ainda respondera a sua pergunta. 
   - Ele sofreu um acidente, minha senhora. Um acidente realmente grave.
   - E ele irá ficar bem? - indagou novamente, com os olhos ainda mais arregalados.
   - Eu vou ser sincero, minha senhora. - começara ele, e respirou fundo. - Como eu disse, o caso dele é grave, realmente muito grave mesmo.
   - Mas ele vai ficar bem? - insistia a senhora, agora entrando em desespero pela omissão da resposta por parte dele. - Por favor, me diga que ele vai ficar bem!
   O médico dessa vez pareceu hesitar por um momento, o que me assustou, e lançou um olhar para o chão, mantendo-o por breves segundos. Eu já sabia qual era a resposta, mas ainda assim não poderia acreditar. 
   Mas então ele respondera-a, e tais palavras pareceram navalhas cortando-me internamente.
   - Ele está praticamente morto.

~

   Eu nunca havia me sentido assim. Tão só, tão fria. 
   Era como se todas as coisas ao meu redor de repente congelassem, e nada mais fizesse sentido.
   Como se uma parte de mim tivesse sido arrancada, a parte que me fazia ser feliz, e agora restasse-me só a infelicidade e a solidão. 
   Eu estava só, tão vazia.
   Ele estava praticamente morto.
   O meu Joe, praticamente morto.

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