3.5.16

Chapter 3 - Inabalável


Demetria Devonne Lovato'
   "Joseph, você sabe que eu não gosto quando você faz isso." eu resmungava, enquanto ele ia me guiando. Meus olhos estavam totalmente vendados por um lenço, e ele segurava a minha mão.
   "Sabia que eu odeio quando você me chama de Joseph?" ele afirmou, com a voz um pouco debochada. "Lembra-me de quando a minha mãe ficava brava comigo porque eu não arrumava a minha cama." ele riu com o próprio comentário, e eu apenas revirei meus olhos.
   "Então me fala para onde estamos indo!" ele não me respondeu. "Ou me deixe tirar logo essa venda da minha cara. Eu devo estar parecendo uma retardada". 
   "Você é uma retardada."
   "Cala a boca!" exclamei, irritada. Eu escutei ele começar a rir. "Como você é chato!"
   "Olha quem fala..." ele soltou aquilo e começou a rir ainda mais. Dessa vez, comecei realmente a me irritar.
   "Joseph Adam Jonas, eu vou tirar essa venda maldita da minha cara se você não me disser onde estamos!" ele novamente me ignorou, e eu ainda pude escutar ele rindo. "JOE!"
   "Calma, mulher!" eu bufara alto. E então finalmente ele hesitou. "Pronto, chegamos, amor. Agora, só espera mais um pouquinho, tudo bem?" pediu ele, de certa maneira manhosa, e soltou a minha mão. 
   "Você só pode estar zoando comigo, Joseph." resmungara novamente. "Eu odeio você!" 
   "Pode tirar a venda agora" afirmou ele, e eu o obedeci sem pensar mais.
   No entanto, assim que tirei a venda dos meus olhos meus olhos eu franzi as minhas sobrancelhas. Eu reconhecia aquele lugar. Estávamos naquela praça que sempre vinhamos quando éramos mais novos, quando nós dois ainda estávamos na faculdade. 
   Eu lancei um olhar confuso para Joseph, que então esboçou um sorriso de lado e virou-se em direção a aquela mesma árvore em que ele havia subido alguns anos atrás para me pedir em namoro. Automaticamente eu arregalei os olhos.
   "Joe, o que você está fazendo?" ele me ignorou mais uma vez, e então segurou em um dos galhos mais baixos daquela árvore. "JOE!" dessa vez eu berrara, percebendo que ele pretendia novamente subir naquela árvore. "JOSEPH, PARE COM ESSA MALUQUICE!"
   Porém, de repente ele hesitou. Ele soltou aquele galho e virou-se para mim e começou a rir. Eu lancei um olhar irritado para ele, sem entender mais nada do que ele estava fazendo. 
   "Eu não vou subir de novo, Demi. Até porque eu nem conseguiria mais." afirmou ele, com um sorriso amarelo no rosto. "Eu só precisava que você lembrasse daquele momento. De quando você se tornou oficialmente a minha namorada. Porque eu queria que esse momento fosse tão inesperado e marcante como aquele foi."
   "Joe, o que você está..." mas ele então começou a se ajoelhar em frente a mim, não deixando-me terminar a minha pergunta. E quando em seguida tirou uma caixinha preta do seu bolso, eu levei as minhas mãos até o meu rosto e arregalei os olhos.
   "Oh meu Deus!" foi a única coisa que eu consegui afirmar quando ele abriu a caixinha, mostrando aquele anel pequeno porém muito brilhante. "Oh meu Deus, Joe..."
   "Demetria Devonne Lovato." ele hesitou, mas lágrimas já escorriam dos meus olhos. "Eu não consigo imaginar uma pessoa mais irritante do que você. E que faz mais escândalos, e dramas, do que você faz. Mas é você quem faz meus dias serem tão maravilhosos. Você é a luz da minha vida, Demi, e eu não consigo imaginar mais a minha vida sem você. E por isso eu quero que você seja a mulher com quem terei meus filhos, um garoto e uma garota. E que seja a mulher que acorde do meu lado todos os dias pelo resto da minha vida. Eu quero que você seja minha para sempre, Demi. E que eu seja seu para sempre! Por que não existe uma pessoa que completa a minha vida como você me completa." 
   Ele pigarreou uma vez e finalmente disse a frase que eu iria guardar na minha mente pelo resto da minha vida.
   "Demi, você quer se casar comigo?" eu não consegui segurar as minhas lágrimas. Novamente, ele havia me deixado surpreendida. 
   E dessa vez eu não hesitei nem um pouco ao responder. 
   "Sim! SIM!" ele então colocou o delicado anel no meu dedo, segurando a minha mão como se ela fosse a coisa mais preciosa do mundo, e quando ele levantou-se eu o abracei com todas as forças que eu tinha. 
   "Você me odeia mesmo, Demetria?" ele perguntou, ainda me abraçando. O tom dele havia soado de maneira tão irônica que me fez ficar com vontade de apertar ainda mais aquele abraço. "Por que eu te amo. Demais."
   "Eu não te odeio, Joseph." eu respondi, afastando-me e cessando aquele abraço. "Você é a minha vida, Joe. Eu te amo, e sempre amarei, seu retardado."
  Ele então selou os meus lábios e me beijou como se o mundo fosse acabar e aquele fosse o último beijo que ele me daria. E eu quis que aquele momento durasse para sempre.
   Assim como eu queria que aquela sua promessa realmente durasse para sempre, e pudéssemos ainda conseguir ter dois filhos, um casal. Ou agora, pelo menos uma garota.

~

   Era incrível como as vezes o mundo me assustava. Coincidências como aquela realmente me desequilibrava. E nesses momentos eu me questionava se, de verdade, a vida era justa.
   - Como está ele? - perguntou a mãe de Joseph, que segurava a minha mão. E foi só naquele momento que eu percebi o quanto eu me aproximara dela em meio a todo aquele tempo, assim como ao seu pai também.
   Haviam se passado o que, duas semanas? 
   Duas semanas que Joseph já estava ali. 
   Sem dúvidas, as duas piores semanas da minha vida.
   - Eu vou ser sincero com a senhora... - afirmou o mesmo médico que vinha acompanhando Joseph durante todo aquele tempo. E a senhora apertava a minha mão a cada palavra dita pelo doutor.
   - A situação dele está realmente delicada... - o senhor suspirou fundo e prosseguiu. - Ele, até agora, não respondeu a nenhum dos estímulos os quais lhe foi aplicado. É como se o corpo dele só respondesse aos movimentos necessários para mantê-lo vivo, nada mais.
   - O que o senhor quer dizer com isso? - o pai de Joseph perguntou, com um tom amedrontado. O cansaço estava visível em seus olhos, assim como os olhos da mãe pareciam brilhar, evidenciando o quão esperançosa ela estava por notícias de seu filho. 
   O senhor, o médico, pigarreou. 
   - Ele está em estado de coma desde quando ele chegou, senhor. - ele explicava aquilo de uma maneira calma, sem tom de frieza, mas que ao mesmo tempo parecia congelar as minhas entranhas. - E, realmente, é muito difícil alguém recuperar totalmente seus sentidos depois de tanto tempo assim, especialmente no estado em que ele está.
   - Mas ele não está morto... está? - perguntou a senhora, apertando ainda mais a minha mão. Eu sentia naquele momento como se cada parte do meu corpo pudesse desabar. Permaneci a encarar o senhor que usava roupa extremamente brancas.
   Ao perceber a hesitação do médico, ela insistiu.
   - Ele está morto? Meu filho?!
   - Desculpe-me a minha falta de sensibilidade... mas, como eu disse... ele está praticamente morto. - eu podia perceber o brilho nos olhos da mulher desaparecer. - É como se apenas as máquinas ainda o mantivessem vivo. Eu lamento, minha senhora.
   Aquilo efetivamente iniciou em mim uma sensação nauseante. Uma máquina o mantinha vivo, apenas. Isso não poderia ser verdade. Era muito injusto. 
   E torturador. 

~

   Adentrei sozinha aquela cômodo claro. A primeira coisa que eu senti foi as minhas pernas se congelarem. 
   Ele estava ali. Meu noivo, meu futuro marido. O homem com quem eu deveria ter meu final feliz. Não era para ele ser a minha alma gêmea?
   Era tão excruciante vê-lo daquela maneira. Principalmente ao saber que era aquela estranha máquina, ao lado esquerdo de sua cabeça, a responsável por mantê-lo ali. Mantê-lo aqui. 
   Será que eu conseguiria lidar com aquilo? 
   Aproximei-me a ele, e então sentei-me numa poltrona que ficava ao lado daquela cama. 
   E quando coloquei a minha mão em sua testa, eu não aguentei. Senti finalmente a minha alma desmoronar. Assim como o meu corpo.
   Não dava mais. Simplesmente não dava. Vê-lo daquela maneira, tão impotente. Tão frio. 
   Peguei em sua mão, e senti toda aquela sensação de quando eu havia a segurado pela primeira vez. E em como aquilo fizera meu corpo soltar faíscas. 
   Fechei meus olhos com força.
   Por que momentos como aquele eram tão passageiros? 
   Por que tirá-lo assim de mim, tão repentinamente? 
   Será que ele estava sofrendo? Será que aquilo o machucava também? Pensar nisso me fez tremer.
   Eu não queria arrancá-lo de mim. Jamais.
   Mas imaginar que ele estava sofrendo me fez soluçar ainda mais. 
   Era tão doloroso aquilo. Aquela sensação de responsabilidade. De ser responsável pela vida dele.
   Isso não era justo. Eu não queria aquilo.
   Mas a escolha não deveria ser dele?

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Heeeeey! Antes de comentar, leia as observações abaixo:

> Todas as histórias aqui são fictícias inventadas por mim, ou seja, nenhuma das histórias não aconteceram de verdade.
> Quer criticar? Que seja então uma crítica construtiva. Seja educada, que eu também serei com você!
> Não xingue ou faça quaisquer tipo de ofensa aos casais e personagens escolhidos para as histórias aqui. Respeito é bom e todo mundo gosta!
> Caso tenha alguma dúvida, pergunte pelos comentários. Ficarei honrada em respondê-la!
> Sinta-se a vontade para comentar, opinar e dar suas ideias sobre o blog.

Grata desde já! Obrigada pelo comentários!